Graus da tonalidade: como ouvir o que a nota faz

A ideia que transforma alturas em música que você sabe nomear.

Um grau é a posição de uma nota dentro do seu tom: primeiro, segundo, terceiro, até o sétimo. O número não é burocracia. Cada posição tem uma atração distinta e, depois que você ouve a atração, consegue nomear notas em músicas que nunca ouviu.

Números, não letras

Em dó maior o primeiro grau é dó, o quarto é fá, o quinto é sol. Em ré maior o primeiro grau é ré, o quarto é sol, o quinto é lá. Os nomes das notas mudaram por completo; os graus, não.

É esse o ponto. Uma melodia transposta para outro tom é a mesma melodia — mesmo desenho, mesmas tensões, mesma resolução — e é a mesma para um ouvido treinado em graus. Para um ouvido que só conhece nomes de notas, é informação nova.

A notação segue a mesma lógica. Os algarismos romanos nomeiam os acordes do mesmo jeito: I é o acorde construído sobre o primeiro grau, IV sobre o quarto, V sobre o quinto. Em dó maior são dó–mi–sol, fá–lá–dó e sol–si–ré. Em ré maior, ré–fá♯–lá, sol–si–ré e lá–dó♯–mi. Os mesmos três algarismos; notas diferentes.

Como cada grau se sente

Não há nada de místico nisso. São descrições de tensão e repouso com as quais a maioria dos ouvintes concorda assim que as escuta lado a lado.

Ler isso uma vez não ensina nada. Ouvir cada uma pousar depois de uma cadência, e as descrições começam a bater com algo real.

Por que a cadência vem primeiro

Um grau só existe em relação a um tom, então o tom precisa estar estabelecido antes que a pergunta signifique alguma coisa. Toque uma nota sem contexto e não há resposta certa: qualquer nota pode ser qualquer grau, dependendo do tom em que você decidir estar.

O jeito habitual de firmar um tom em dois segundos é uma cadência: I–IV–V–I. Em dó maior são dó, fá, sol, dó. Quatro acordes, e o seu ouvido já sabe onde é casa. Um bordão sustentado na tônica faz o mesmo serviço, mais devagar e com mais insistência.

É por isso que um treinamento auditivo que começa com uma cadência é diferente de um que apenas toca notas. Um faz uma pergunta que tem resposta; o outro pede que você adivinhe.

Exercício: dois graus, um tom

Toque dó–fá–sol–dó. Depois toque dó ou sol e nomeie antes de conferir. Vinte repetições, e por hoje chega.

Quando ficar entediante, acrescente mi, depois fá, depois o resto. E então — isso importa mais do que acrescentar notas — toque a mesma cadência em ré maior, em si bemol, em mi. No momento em que você nomeia graus num tom com quatro sustenidos, está ouvindo função em vez de lembrar as notas de dó.

Dó–ré–mi e uma confusão que vale desfazer

Muita gente aprende os graus como sílabas em vez de números: dó, ré, mi, fá, sol, lá, si. No dó móvel, dó é o primeiro grau do tom em que você está: em ré maior, dó é ré. É a mesma ideia dos números, com sílabas.

No dó fixo — o sistema de ensino corrente na Rússia, na Itália, na França, na Espanha e em boa parte da América Latina — dó é sempre a nota dó, e as sílabas são simplesmente nomes de notas. Os dois sistemas estão certos e querem dizer coisas diferentes; por isso uma conversa entre um músico russo e um americano sobre “dó” consegue sair dos trilhos por dez minutos.

Se você está aprendendo graus, escolha um sistema e fique com ele. Os números têm a vantagem de não serem ambíguos em lugar nenhum.

Onde fica difícil sozinho

Duas coisas específicas. Você não consegue se testar com justiça: sabe o que vai tocar. E não enxerga qual par confunde sempre; quase todo mundo troca o mesmo par por meses sem jamais notar que são sempre aqueles dois.

Hark resolve as duas: o tom é posto para você, a nota é escolhida para você num tom aleatório, cada erro volta para casa até a tônica para você ouvir a atração, e o mapa mostra quais dois graus o seu ouvido troca. A metade gratuita vai até qualquer tom maior em duas oitavas, sem cronômetro e sem nada que expire.

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