Como descobrir o tom de uma música de ouvido

Sem partitura e sem tabela de armaduras — a sua voz já sabe a resposta.

Quando vira hábito, o método leva uns trinta segundos por música, e é a primeira coisa a fazer antes de tirar qualquer melodia.

Achar o tom não é a mesma habilidade que nomear as notas dentro dele, e confundir as duas é o motivo de a tarefa parecer mais difícil do que é. São dois passos, e se aprendem separados. Primeiro você acha a nota de casa da música — aquela para a qual tudo se inclina. Depois, sabendo onde é casa, cada outra nota tem uma posição em relação a ela, e é essa posição que você nomeia.

Este texto é sobre o primeiro passo. Ele não exige nenhuma teoria que você já não tenha, e funciona com uma música tocando num café.

Passo um: cante até você parar

Ponha a música e cantarole junto, de qualquer jeito, mesmo mal. Depois deixe a música seguir e segure a nota em que a sua voz quer pousar quando você para de tentar. A maioria acha em poucos segundos: é a nota que soa como um final, aquela em que você terminaria se a música fosse sumindo e você tivesse que pousar em algum lugar.

Essa nota é quase sempre a tônica. Você não está chutando: está usando o mesmo senso que faz uma música inacabada soar inacabada. Todo ouvinte tem esse senso; os músicos apenas aprenderam a notá-lo de propósito.

Se a música for cheia e a sua voz ficar escorregando, espere o fim de um refrão. A música volta para casa mais vezes do que sai dela, e o último acorde de uma seção é a pista mais barata que existe.

Passo dois: ache essa nota no seu instrumento

Continue cantando a nota, vá até um teclado ou um violão e procure a altura que bate com a sua voz. Essa é a única parte que é mesmo tentativa e erro, e no começo leva três ou quatro tentativas. Você está comparando uma nota sustentada com uma nota sustentada — muito mais fácil do que comparar uma melodia.

Quando bater, você tem o nome do tom: se a sua voz estava em sol, a música está em sol — maior ou menor, e isso o passo seguinte resolve.

Se não tiver um instrumento por perto

Cante a nota num aplicativo de afinador; ele vai dizer qual é. Use isso para se conferir, não para pular a procura no instrumento: é a procura que treina.

Passo três: confirme com uma cadência

Estar quase certo dá exatamente a mesma sensação de estar certo — até você testar. Então teste: toque I–IV–V–I no tom que você supõe — em sol maior são sol, dó, ré, sol — e ponha de novo alguns segundos da música.

Se o tom estiver certo, a música soa como se pertencesse àqueles acordes. Se estiver errado, ela briga com eles, e você ouve a briga na hora, mesmo sem saber dizer o que está errado. Tente a nota a uma quinta de distância — o erro por pouco mais comum — e teste de novo.

Passo quatro: maior ou o seu relativo menor

É aqui que a maioria trava, porque dó maior e lá menor usam exatamente as mesmas notas. Encarar as notas não separa as duas; só a nota de casa separa.

Volte à nota em que a sua voz assentou no passo um. Se for dó, a música está em dó maior. Se for lá, está em lá menor: as mesmas sete notas, outro centro de gravidade — e o seu ouvido escolheu o centro antes de você saber o nome dele.

Dois atalhos que costumam concordar com o teste do cantarolar: o primeiro acorde de uma música pop ou rock é muitas vezes o acorde de tônica, e o último acorde da música é isso com ainda mais frequência. Use-os para cruzar informação, não para decidir: muita música boa começa longe de casa de propósito.

Por que a segunda habilidade é a que vale treinar

Achar o tom fica fácil rápido. Nomear o que acontece dentro dele é a habilidade que leva semanas — e é ela que permite tirar uma melodia inteira, e não só a primeira nota.

Com a casa estabelecida, uma melodia deixa de ser uma sequência de alturas soltas e vira um caminho entre posições: esta nota é a quinta, esta se apoia para baixo na terça, aquela está meio tom abaixo de casa e quer desesperadamente chegar lá. Essas posições se chamam graus, e elas se transferem inteiras: aprenda a sensação do quinto grau e você a aprendeu nos vinte e quatro tons, porque é a mesma sensação todas as vezes.

É também por isso que tabelas de armaduras são a ferramenta errada aqui. Elas dizem como um tom se escreve. Sobre o que você está ouvindo, não dizem nada — e não dá para ler uma tabela enquanto a música toca.

O exercício, duas vezes por semana

Ponha uma música que você não conhece. Descubra o tom pelos quatro passos acima e anote a sua resposta. Depois confira — os acordes costumam estar a uma busca de distância. Dez músicas bastam para tudo ficar automático; daí em diante o tom é simplesmente uma coisa que você percebe, como percebe um andamento.

Onde um aplicativo ajuda e onde não ajuda

Ninguém vai ouvir uma gravação por você e dizer o que tocou ali — e não é isso que o Hark também não faz isso. Ele treina a outra metade: põe um tom, toca uma nota e pergunta onde ela está dentro do tom; depois leva cada erro de volta para casa, até a tônica, para você ouvir a atração em vez de ler sobre ela. É exatamente a habilidade de que você precisa depois que o teste do cantarolar mostrou onde é casa — e é a parte que não melhora sozinha, porque sozinho você não consegue se testar numa nota escolhida por você mesmo.

O efeito colateral é aqui o principal: depois de algumas semanas respondendo graus, a sensação de casa deixa de ser algo que se procura e passa a ser algo com que se chega.

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