Ouvido relativo e absoluto: qual é a diferença

Duas habilidades diferentes das quais se fala como se uma fosse a versão melhor da outra.

O ouvido absoluto nomeia uma nota vinda do nada. O ouvido relativo nomeia uma nota pelo lugar que ela ocupa entre as outras. Não são dois níveis da mesma capacidade: respondem a perguntas diferentes, e só uma delas é treinável de forma confiável na vida adulta.

Ouvido absoluto

Também chamado de ouvido perfeito. Quem tem ouvido absoluto escuta uma nota sem nada com que compará-la e diz “isso é um ré” — do mesmo jeito que você olha uma parede e diz “ela é vermelha”, sem precisar de uma segunda parede.

É raro, está fortemente associado a um estudo musical iniciado muito cedo e, em línguas tonais como o mandarim, é mensuravelmente mais comum. A pesquisa sobre ensiná-lo a adultos não é animadora: algumas pessoas melhoram em nomear notas dentro de uma faixa estreita, pouquíssimas adquirem algo parecido com a versão sem esforço.

E ele também é menos útil do que a fama diz. O ouvido absoluto dá a letra. Não diz o que a nota está fazendo, se ela pertence ao tom, nem para onde a música vai em seguida. Alguns músicos que o têm relatam que ler música transposta é francamente desconfortável, porque os nomes que ouvem brigam com os nomes da página.

Ouvido relativo

Ouvido relativo é ouvir a nota no contexto: esta nota é a quinta do tom, esta é a sensível, este acorde puxa para casa. Com uma única referência — uma cadência, um bordão, o primeiro acorde de uma música — um ouvido relativo treinado coloca todo o resto no lugar.

É a habilidade por trás de tirar uma melodia numa escutada, transcrever uma linha de baixo, improvisar sobre a harmonia e perceber que o segundo refrão modulou. É o que os músicos profissionais querem dizer quando falam que alguém “tem ouvido”, e é treinável em qualquer idade.

A comparação honesta

O que não é verdade é a ideia corrente de que o ouvido absoluto seria a versão avançada e o relativo, o prêmio de consolação. Muitos músicos de nível de conservatório não têm ouvido absoluto nenhum. Pouquíssimos deles têm ouvido relativo fraco.

Como é, de fato, treinar o ouvido relativo

Há duas abordagens comuns, e elas não são equivalentes.

O treino de intervalos pergunta a distância entre duas notas: uma terça maior, uma quinta justa. É o exercício padrão da maioria dos aplicativos e tem uma fraqueza conhecida: ensina pares isolados. Você pode nomear todos os intervalos e ainda assim não saber o que acabou de ouvir numa música, porque música não anda em pares isolados: anda em torno de uma nota de casa.

O treino funcional — também chamado de treino por graus ou treinamento auditivo funcional — firma primeiro o tom e depois pergunta onde a nota está dentro dele. A resposta não é “uma terça maior acima”, é “o terceiro grau, claro e assentado”. Essa resposta sobrevive à nota seguinte, à frase seguinte e a uma mudança de tom, porque trata de posição e não de distância.

Ouça a diferença em trinta segundos

Ao teclado: toque dó e depois mi, e repare no intervalo — uma terça maior. Agora toque dó–fá–sol–dó para firmar o tom e então toque mi sozinha. Mesma nota. Desta vez ela não parece “uma terça acima” de nada; parece uma nota clara e assentada, que está onde lhe cabe.

É essa segunda sensação que permite nomear notas numa música que você nunca ouviu.

Por onde começar

Se você é adulto e está escolhendo o que treinar, quem paga é o ouvido relativo. Comece com dois graus num tom, acrescente um terceiro quando os dois estiverem automáticos e mude de tom cedo, para aprender posições em vez das notas de dó maior.

Hark treina exatamente isso: uma cadência firma o tom, uma nota soa, você nomeia o grau dela, e a nota errada volta para casa até a tônica para você ouvir a atração em vez de ler sobre ela. Os níveis gratuitos vão até qualquer tom maior em duas oitavas — o bastante para o hábito pegar — sem assinatura e sem cronômetro.

Entrar no beta gratuito A metade gratuita não exige compra nem conta.